Algumas interrogações fazem o meu pensamento. Não estou a gostar daquilo em que me estão a tornar, mas não sei como sair daqui. Não sei como abrir a porta, nem como correr a janela. Sinto-me aprisionada em mim própria, como se a ligação ao mundo exterior se tivesse perdido e eu não pudesse pedir ajuda. Salvem-me! Grito eu. Tirem-me o sufoco que me prende a este sitio. Não. Não vale a pena. Todos fingem não ouvir, todos me passam ao lado e fingem nem ver. Tudo bem. Eu ficarei bem com o tempo, esse que todos dizem ser a cura para muitos dos males. Eu suportarei a dor até não poder mais, até a ferida não ter mais solução. Mas, digo isto em tom de aviso, se um dia o meu coração rebentar e na minha cabeça nada mais fizer sentido, tudo acaba. Tudo fica nesta casa e eu voo, como um pássaro, para outra vida. Dispo a roupa velha e transformo-me na liberdade.

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