16 março 2014

Encontros e desencontros.

Era um dia chuvoso, talvez dos piores dias que o Inverno havia atravessado. Mau dia para viagens longas, mau dia para andar na estrada. Ainda assim, correndo todos os riscos e enfrentando todos os medos, ela entrou no autocarro e seguiu caminho. O destino era o amor da sua vida, que a esperava ansiosamente, do outro lado da viagem. A distância, a maldita distância fazia parte das suas vidas desde o dia em que se conheceram, e era hora de superá-la. Hora do encontro. Hora de tornar real tudo aquilo que haviam idealizado, nas inúmeras horas em que partilharam sonhos e desejos, entre conversas e sorrisos. É engraçado como duas pessoas podem apaixonar-se uma pela outra, sem nunca se ter tocado. Ao mesmo tempo assustador, pensar que pode tudo ser uma pequena partida do coração, uma ilusão causada por carinhos e afectos.
Mesmo com todos os receios, combinaram o encontro. O relógio soava as cinco e meia da tarde, e heis que ela chega, e o avista ao longe. Ao aproximar-se, todo o seu corpo tremia, estava histérica e ria.. ria como uma perdida. Eram nervos. Era insegurança. Era medo - ele era tudo o que ela queria, e que temia perder. - Já ele parecia calmo, sereno. Transmitia paz ao coração dela, onde voava um bando de borboletas sempre que os seus olhos tocavam nos dela. Sentiu-se a atrapalhação de ambos, num desejo infinito de querer ligar os corações, através de um abraço. E sentiu-se a vontade de estar junto, no conforto um do outro para sempre. Que turbilhão de emoções atravessavam aqueles dois corpos, naquela tarde de sexta-feira. Não havia duvida, era amor. Era mágico. Apaixonante. Ela estava surpreendida com a espontaneidade dele, e olhava-o como um super herói, um super-homem protector, que a fazia voar cada vez que sorria. Nunca tinha admirado tanto alguém, como o admirava, mesmo com todo o jeito desajeitado que ele tinha para o amor, ela só queria fazer-lhe bem. Só queria amá-lo com todos os defeitos que ele pudesse ter. Ela só queria ser a felicidade dele, e o motivo do brilho dos seus olhos. Ela só queria abraçá-lo em todas as horas de sufoco, e dar-lhe a mão cada vez que ele tropeçasse. Ela queria ser para ele, tudo o que ele era para ela. Mas não conseguiu. O amor dele não era tão forte assim, ou talvez a tivesse amado tanto no primeiro dia, que não restou amor para os próximos dias. E a partida foi inevitável..
Poucos dias depois, ele anunciou deixá-la. Disse que não podia continuar na vida dela, por não se sentir capaz de a fazer feliz - mal sabia ele que só a sua presença já a fazia feliz, só o olhar dele a fazia suspirar, só a mão dele nos cabelos dela, a faziam renascer. Mal sabia ele que ela o amava. - Ela tentou não o deixar partir, segurou-o e pediu que ficasse. Que a deixasse tentar. Mas ele não deixou, ele não ficou. Deu-lhe um beijo na testa, e sorriu. Ele gostava dela, mas não como ela gostava dele. E partiu.

Até um dia, meu amor.

Sem comentários: