17 março 2014

Quando perdemos alguém, a vida trata de nos obrigar a ser fortes. A aguentar o sufoco, a aguentar o vazio, e a enfrentar tudo e todos, novamente sozinhos. Quando perdemos alguém, a vida torna-se injusta e obrigada-nos a achar piada aos sonhos que não voltarão a ser reais. Obrigada-nos a sorrir de palermices a que não achamos piada, apenas porque quem nos fazia realmente sorrir, já não está. Já cá não mora. E temos de agir como se nada fosse, para não sermos acusados de loucos - ou apaixonados, diria eu. É isto que é a vida, ganhar e perder? Sorrir e chorar? Tropeçar e continuar o caminho, sem nunca olhar para trás? Confesso que olho muitas vezes por cima dos ombros, e nada parece ter as minhas pegadas. O passado já não faz sentido, mas o futuro é tão nublado. O melhor é sentar-me, e esperar que a vida faça comigo, aquilo que a primavera faz com a flores.

1 comentário:

Cláudia S. Reis disse...

Nós, humanos, temos tendência a "minimizar os danos". Se perdemos alguém choramos e dizemos que vamos "seguir em frente". E é verdade, seguimos. Mas, por dentro, ficamos sempre a remoer as "últimas": a última palavra, o último beijo, o último abraço, o último sorriso, até a última discussão. É inútil fingirmos que fica tudo bem quando perdemos alguém. Iremos, eventualmente, aceitar a sua ausência. Mas nunca fica tudo bem. Continuaremos a ser felizes, isso é certo. Mas só quando aceitarmos que o vazio que essa pessoa deixou passou a pertencer ao presente e ao futuro. Não só ao passado.
Força :)