20 agosto 2015

Para sempre, Coração.

Querido coração, hoje é a ti que te escrevo, porque tu, mais que ninguém mereces toda a minha atenção e cuidado. Sei que tem sido difícil. As quedas, os roubos, os sonhos destruídos, as ilusões. Todos os amores prometidos e acabados nas entrelinhas. Tudo. Tudo aquilo em que acreditaste, tudo o que passaste e passas, tem-nos matado um bocadinho, sempre mais um bocadinho. Todos os dias. E sei também que agora, mais que nunca, vai ser impossível voltares ao que um dia foste. Agora que vivemos um daqueles amores, o maior amor, o que nos leva à loucura e arrebata com tudo. O amor que nos dá sentido à vida, mas que quando acaba, acaba connosco. Agora sei. Sei que vai ser pior do que sempre foi. Agora sei que não haverá mais ninguém que te sare, que te cuide, que te faça voltar a brilhar. Não com a mesma intensidade. Estás demasiado desiludido com a vida, para voltar a acreditar no amor. E eu sei tão bem o que sentes. A vontade é de estagnar no tempo, sentar à beira mar, e sentir as ondas levarem toda a dor, e não permitir, nunca mais, que qualquer sentimento se apodere de ti, seja ele bom ou mau. Porque para existir um terá de existir o outro. E tu não queres. E eu não quero. Vamos respirar fundo coração. Vamos deixar voar tudo o que nos fere a alma. Vou-te reconstruir sozinha, e não precisas mais de acreditar em ninguém. Não precisamos mais, de nenhum outro alguém. Agora, sou só tu e eu. Para sempre, Coração.

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