Houve um tempo em que fomos possíveis! Houve um tempo em que desejaste tanto agarrar-me e não me deixar partir nunca mais.. Um tempo em que eras tudo, em que falavas de sonhos e o teu coração acelerava ao pensar que podíamos acontecer. E podíamos. Eu cheguei a sentir o teu bater, a tua vontade. Não sonhei. Houve um tempo em que era o nosso tempo.. em que me resgataste e me tornaste em algo melhor, em que me mostraste que afinal, a vida pode ser fantástica, e que me agradeceste por ter aparecido na tua, por te ter feito tão bem. Por te ter feito sorrir. Sei agora que foi tudo tão intenso que passou, que as borboletas que nos deixaram parvos, em ti voaram e sufocaram-te o coração. Culpo-me todos os dias por te ter assustado. Por te ter desejado demais, por ter feito com que deixasses morrer o que nos alimentava, por não te preencher como gostarias. Por faltar algo em mim que não encontraste. Se calhar porque não faltava em mim, mas sim em ti. Se calhar esta vontade de ter o mundo nas mãos, em ti não durou mais do que umas horas. E percebo agora que somos talvez demasiado opostos para dar certo, ou para tentares fosse o que fosse. Tu és demasiado cabeça, e eu demasiado coração. Somos como o sol e a lua, que podem amar-se por toda uma vida, mesmo inconscientemente, mas nunca se tocam. Houve um tempo em que fomos possíveis, hoje não somos mais.
26 outubro 2016
23 outubro 2016
22 outubro 2016
Gostava de conseguir falar de ti. Gostava de conseguir transformar em palavras todos os sentimentos bons que um dia me fizeste sentir. Gostava de não sufocar quando o pensamento és tu, enquanto fecho os olhos e recordo do quão bom foi conhecer-te. Enquanto caminho por estas ruas e te imagino nelas. Porque esta cidade também é tão tua, porque passámos a vida a dar os mesmos passos, e porque sem querer, eu segui os teus.. Se calhar o destino quis apenas que me mostrasses como consigo ser mais forte, e vencer sozinha todas as guerras. E mesmo que não tenhas tido a coragem de ficar a tempo inteiro na minha vida, não tens ideia de tudo o que me ensinaste, de tudo o que eu aprendi contigo. Do bem que fizeste à minha alma e de como reconstruíste o meu coração. Colocaste a primeira peça, como pediste no primeiro dia, e eu consegui continuar sozinha. Porque era preciso fazê-lo sozinha, aos bocadinhos. Ainda não acabou a luta, mas hoje já não dói. E mesmo cheio de buracos, ele vai batendo, ainda sem ritmo, ainda sem brilho, ainda com dias bons e dias maus, mas vai batendo. Cada vez com mais força. Cada vez com mais vontade. Um dia estará novo! Acho mesmo que não imaginas todo o mal que conseguiste apagar de mim. E da luz que trouxeste de volta aos meus dias. Afinal existem pessoas boas, e eu não acreditava. Antes de ti, eu era apenas um corpo, de alma perdida e coração destruído. A viver há demasiado tempo no escuro. Sem vontade de abrir a janela e viver. Não pensava conseguir voltar a sentir. Voltar a olhar o céu e a desejar as estrelas. Voltar a contar sonhos à lua e a acordar com o sol. Antes de ti, era só vazio. E mesmo que tu não saibas, mesmo que nunca vás saber, tu foste das melhores coisas que encontrei no caminho.. mesmo que tenhas sido só uma estação onde parei para respirar, beber água fresca e ganhar forças para continuar. Obrigada.
11 outubro 2016
E de repente percebo que a vida é uma sucessão de perdas. Quando nascemos temos o mundo aos nossos pés. Tudo é nosso. Podemos tudo. Somos tudo. Mas, à medida que os anos passam, bocados de nós vão-se perdendo por aí. O vazio é a única certeza da vida. Perdemos sonhos. Pessoas. Dinheiro. E tempo. Muito tempo. Perdemos a vida a cada minuto. Perdemos tudo, até que nos perdemos.
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